Nenhum par sem fios põe o som ao mesmo tempo que a imagem. O modo de baixa latência anunciado nesta faixa anda pelos 60 a 80 ms, o equivalente a quatro ou cinco imagens num jogo a 60 fps, e é com esse intervalo que se decide se uns gaming earbuds chegam para uma noite de Free Fire ou se o Valorant continua a pedir cabo.
De onde vem o atraso e quanto pesa em imagens
O caminho do som até à orelha tem várias paragens, e cada uma cobra o seu tempo. O jogo gera a amostra; o sistema junta-a num tampão; o telemóvel codifica esse bloco; o rádio de 2,4 GHz envia-o, às vezes duas vezes porque a primeira se perdeu; o auricular descodifica e só então o altifalante mexe. O tampão existe precisamente para aguentar as retransmissões, e é por isso que a supressão total do atraso não está à venda em loja nenhuma: retirar o tampão é retirar a margem que impede o som de cortar.
Um modo de jogo faz exatamente essa troca. Encurta o tampão, o som aproxima-se da imagem e, em contrapartida, o par fica menos tolerante ao Wi-Fi do vizinho, ao micro-ondas da cozinha e ao próprio corpo entre o telemóvel e a orelha, porque tudo isso divide a mesma banda de 2,4 GHz. Numa residência universitária com quarenta routers no mesmo andar, essa margem não é um detalhe.
Vale a pena traduzir milissegundos em imagens, que é a unidade em que se joga. A 60 fps, cada imagem dura 1000 ÷ 60 = 16,7 ms, e um atraso de 70 ms são 70 ÷ 16,7 = 4,2 imagens: o passo que ouve atrás de si corresponde ao sítio onde o adversário estava há quatro imagens, não ao sítio onde está. Num telemóvel a 120 fps cada imagem dura 8,3 ms, e os mesmos 70 ms passam a valer mais de oito. Em medida física, com o som a percorrer cerca de 343 metros por segundo no ar, 70 ms é o tempo que uma voz demora a atravessar 24 metros. Para Clash Royale ou para uma campanha, esses 24 metros não decidem nada; para uma troca de tiros a três metros, decidem.
No telemóvel e no PC o problema não é o mesmo
No telemóvel o rádio já lá está, e a decisão resume-se ao codec e ao modo. O SBC é o denominador comum de qualquer ligação Bluetooth de áudio, o AAC é o que um iPhone escolhe quase sempre, e o LDAC, quando aparece, foi desenhado para débito e qualidade, não para chegar mais depressa. Convém ler as promessas do rádio pelo que elas dizem: a página do Bluetooth SIG sobre LE Audio apresenta o codec LC3 como uma melhoria de qualidade sobre o SBC «mesmo a metade do débito binário», e não afirma nada sobre atraso. Uma versão 5.3 ou 5.4 na caixa também não é promessa de sincronismo.
No computador começam as diferenças a sério, e há duas máquinas por trás da mesma palavra. Um portátil traz rádio Bluetooth de fábrica e emparelha como um telemóvel. Uma torre montada em casa, muitas vezes, não traz nada: a placa-mãe pode ter saído da caixa sem rádio nenhum, e o primeiro passo é confirmá-lo. A própria Microsoft começa as instruções para emparelhar um dispositivo Bluetooth no Windows por aí, com o aviso de que o equipamento tem de suportar Bluetooth, antes de mandar abrir Definições > Bluetooth e dispositivos.
É aqui que entra o adaptador de 2,4 GHz, e é aqui que a etiqueta engana mais. Um dongle desses não é Bluetooth: traz o seu próprio recetor e o seu próprio protocolo, salta a pilha de Bluetooth do sistema, e é isso que lhe permite trabalhar com um tampão mais curto. Vem em USB-A ou em USB-C, e as duas fichas não são intermutáveis sem adaptador: um portátil recente pode ter só portas USB-C, uma torre de há cinco anos só tem USB-A à frente. Conta ainda a posição. Uma torre metálica pousada no chão, com o dongle espetado no painel traseiro, mete uma caixa de metal entre o recetor e a sua cabeça, e 2,4 GHz não atravessa metal com bom humor; a porta da frente, ou uma extensão até à secretária, rende mais do que qualquer definição do jogo.
Uma etiqueta de montra como pc gaming earbuds não promete nada disto, e os nossos dois pares também não: ambos se ligam pelo menu de Bluetooth do telemóvel, do tablet ou do PC, e nenhum inclui adaptador. Quem quer o caminho curto do dongle tem de o procurar por escrito na ficha, aqui ou noutra loja qualquer.
Se a equipa não o ouve, o problema não é o atraso
Muitas queixas de quem joga acompanhado não vêm do som que chega, vêm do som que sai. E as duas coisas viajam por caminhos diferentes: o Bluetooth SIG mantém um perfil mãos-livres para o equipamento que serve de auscultador e microfone ao telefone, separado da especificação que trata da distribuição de música. A nossa leitura dessa separação é simples: quando o microfone abre para o chat de voz, a ligação deixa de fazer o que fazia a ouvir música, e é por isso que no Windows o mesmo par costuma aparecer duas vezes na lista de dispositivos de som, uma entrada para som e outra para comunicação mãos-livres. Escolhida a errada na aplicação de voz, ou fica sem microfone, ou o jogo passa a soar a rádio de táxi.
Há uma segunda confusão que custa dinheiro nesta faixa: o ANC trata do ruído que chega aos seus ouvidos, e o que limpa a sua voz para o colega do outro lado é o processamento do lado do microfone, normalmente anunciado como ENC. Nenhuma das duas fichas da nossa loja usa a sigla ENC, e ambas dizem expressamente que não têm cancelamento ativo: o que oferecem é isolamento passivo, a barreira física da ponta de silicone ou da concha fechada.
A prova possível em casa faz-se em dois minutos e sem equipamento nenhum: grave vinte segundos no gravador de voz do telemóvel, com os auriculares postos e a ventoinha do PC ligada, e ouça depois pelo altifalante. O que ouvir aí é aproximadamente o que a equipa ouve.
O que estas fichas de gaming earbuds dizem sobre o atraso
Dizem pouco, e uma delas assume-o por escrito. Vale mais uma ficha que declara o que não sabe do que um cartaz com um número redondo sem origem.
| O que a ficha indica | Beetle Mechanical | Áudio espacial |
|---|---|---|
| Atraso ou modo de jogo | Não indicado | A ficha diz que não publica um valor de atraso, por não o ter documentado |
| Microfone | Microfone de condensador incorporado, para chamadas e chat de voz | Não indicado; a tabela de comparação da própria ficha deixa a linha em branco |
| Controlo de ruído | Isolamento passivo por concha fechada; a ficha responde «não» à pergunta sobre cancelamento ativo | Isolamento passivo pelo encaixe selado com pontas de silicone; sem cancelamento ativo |
| Ligação | Bluetooth pelo menu do telemóvel, tablet ou PC; controlos no próprio auricular | Bluetooth pelo menu do telemóvel, tablet ou portátil |
| Estojo | 180 mAh de lítio-polímero, carregamento USB-C, carregador não incluído | Estojo de carga com luz de estado verde na frente |
| Resistência à água | Sem classificação publicada | Sem classificação publicada |
| Preço à data desta publicação | 39,99 USD | 34,99 USD |
Duas linhas merecem leitura devagar. A do atraso: os EARSOLE Wireless Gaming Earbuds with Spatial Audio escrevem na ficha que não publicam um valor por não o terem documentado, e aconselham quem joga títulos competitivos de reação rápida a experimentá-los primeiro com o jogo do costume. E a do microfone: os EARSOLE Beetle Mechanical Wireless Gaming Earbuds são o único dos dois cuja ficha o declara por escrito.
Limitação a registar: nenhuma das duas fichas publica versão de Bluetooth, codecs, ligação multiponto, autonomia em horas, tamanhos de ponta S/M/L ou classificação IPX. Se alguma dessas linhas é decisiva para si — e para quem joga a suar no verão, a classificação IPX costuma ser —, é pergunta a fazer antes de pagar. Nesta faixa dos 25 aos 40 euros, o que separa um par decente de um mau negócio é quase sempre o que a ficha se recusa a dizer.
Perguntas de quem joga com auriculares in-ear
Um modo de jogo resolve mesmo o desfasamento?
Reduz, não elimina. Encurtar o tampão aproxima o som da imagem em algumas dezenas de milissegundos e, em troca, deixa a ligação mais sensível a interferências no mesmo canal de 2,4 GHz. Em jogos de campanha, corridas ou títulos por turnos, a diferença é confortável. Em partidas de reação rápida, o teste que conta é a sua sala, com o seu router e o seu telemóvel, nas primeiras duas semanas de uso.
Uns auriculares in-ear chegam para jogar no PC ou é preciso headset?
Chegam, desde que a ficha declare microfone e o computador tenha rádio Bluetooth. O que os in-ear não dão é o braço de microfone junto à boca, que apanha menos eco da sala, nem a autonomia de uma concha grande em sessões de cinco horas. Em troca, cabem no bolso, não aquecem a orelha em agosto e servem para o resto do dia. Comparámos os dois formatos com mais detalhe no artigo sobre headset ou auriculares para jogar e para reuniões.
O cancelamento ativo ajuda a ouvir passos?
Ajuda a baixar o volume do jogo, porque tira o ruído grave e contínuo da sala, mas não acrescenta detalhe nenhum ao som. Nenhum dos dois pares aqui descritos tem cancelamento ativo: contam com o isolamento passivo do encaixe. Para passos, o que mais rende é um encaixe bem assente, já que um par mal selado perde grave e, com ele, metade da informação de posição.
Que par faz sentido para o que joga
Escolha pelo modo como joga a maior parte das semanas, não pela partida que imagina ganhar. Se joga acompanhado, com chat de voz aberto, o par cuja ficha declara microfone resolve a parte que dá mais discussões. Se joga sozinho no telemóvel, campanhas, corridas ou vídeo, o encaixe selado e o áudio espacial pesam mais do que qualquer número de milissegundos. Se joga a sério títulos de reação rápida, conte com um adaptador de 2,4 GHz ou com um cabo, e trate estes dois pares como a própria ficha os trata: bons para sessões casuais e móveis. Estão lado a lado na nossa coleção de auriculares para jogar, e o resto do catálogo está na loja.
MX-21 Auscultadores sem fios preto e dourado
Q2 Pro In ear monitors cristal roxo
Purple Sleep Headband Headphones with Triangle Controls
Cream Reflective-Stem Wireless Earbuds
IN-01 Auriculares ANC brancos, interior do estojo azul-claro
Auriculares abertos prateados em forma de cápsula
MN In ear monitors com cabo destacável, rosa metalizado
Auriculares ANC pretos com estojo com quatro indicadores
